Lapidando um libertário

É difícil encontrar uma pessoa que não goste dos filmes do cineasta britânico Christopher Nolan. Ele é responsável por grandes filmes como O grande truque, Amnésia, Interestelar e A origem. É justamente sobre esta última obra citada de Nolan que pretendemos falar aqui, e sim, tem tudo a ver com o movimento libertário.

Inicialmente, vale uma breve revisão do contexto cinematográfico. No filme A origem, de Nolan, um grupo de profissionais contratados tenta adentrar a mente de um poderoso empresário –através de seus sonhos– e implantar uma ideia na mente dele. Estes profissionais deixam claro, em um dado momento, que não basta apresentar uma informação complexa pronta para alguém e esperar que esta pessoa se convença daquilo. É necessário construir a ideia juntamente com a pessoa para que ela suponha ter chegado àquela conclusão.

O que vemos constantemente no cenário libertário brasileiro atual é o mesmo erro apontado pelas personagens do filme citado. Escrever “COMUNISTA!” em caixa alta em debates de redes sociais ou gritar que “imposto é roubo” durante um jantar em família de nada ajudarão o movimento libertário. O saldo no final do dia, após estas intervenções, serão de libertários a menos, pois tais condutas só reforçam estereótipos que já carregamos injustamente. Como podemos, então, abordar melhor as pessoas para lapidar um novo libertário? O filme de Nolan já nos ensinou.

O primeiro passo seria algo já muito proposto por Hoppe e Rothbard (e, logicamente, o libertário brasileiro de internet não sabia disso, pois também não estuda as obras libertárias, apenas assiste vídeos rápidos de influencers): deslegitimar a ideia já vigente, no caso o estatismo/socialismo. 

Antes mesmo do colega liberal, conservador ou mesmo socialista entender sobre PNA e que a tributação estatal fere a propriedade privada, é necessário fazê-lo entender que o socialismo e seus diversos graus (representados no estatismo) não funcionam e somente levam ao declínio da civilização humana. É necessário mostrar ao seu parente que gosta de discutir política que não há intervenção governamental benéfica; que as maiores calamidades humanas foram realizadas com a anuência do estado; que qualquer suposto benefício direto que o estado te fornece vem às custas de expropriações muito maiores e violentas. Lembre-se que este processo é lento e progressivo, depende de paciência e persistência da parte do libertário despertador. Nesta fase, então, é aberto um pequeno vácuo na mente de uma pessoa, onde ocorre a desconexão entre a imagem do estado e boas ações/resultados. 

Partimos para a fase mais decisiva em seguida. Uma vez convencido de que o estado é ilegítimo e não traz benefícios para nenhum indivíduo e muito menos para a sociedade, o libertarianismo precisa entrar para preencher o vácuo mental. “Se o estado não é a solução dos nossos problemas, o que seria?”, pensará o pobre recém-despertado. E assim o libertário entra com as ideias de individualismo, ação humana e livre mercado. Lembre-se de que a ideia tem de ser construída, falar em ilegitimidade da democracia, descriminalização das drogas e porte totalmente irrestrito de armas pode ser uma overdose da red pill logo no início. Assuntos já bem tolerados e discutidos são mais palatáveis e processáveis. A partir daí, conceitos e análises mais disruptivas vão entrando como informações inocentes, apenas “pontos de vista diferentes”.

Desta forma, o libertarianismo fica mais digerível. Lembre-se que antes de propor a sua ideia você deve perguntar o por que a ideia alheia é melhor. Coloque o estatismo à prova sempre, desnude-o. Entre, gentilmente, com as concepções de propriedade privada usando exemplos cotidianos. Antes, procure pontos de concordância com o outro, isso já facilita o diálogo e te prepara para o nível de argumentação necessária. E o mais importante de tudo: estude o libertarianismo! O colega a ser convencido já está munido de doutrinação estatal vitalícia, não subestime um alienado.

Sem estratégias, o libertarianismo brasileiro nunca alcançará o lugar que tanto almeja no debate social do cotidiano. Precisamos traçar caminhos e planos acessórios para atingir a visibilidade necessária. É preciso paciência e perseverança nesta conquista. Os socialistas souberam usar tais condutas e hoje estão ganhando a batalha, mas com atenção podemos vencer esta luta. Como disse um libertário certa vez: se o socialismo, que possui ideias e resultados tão ruins, tem perseverado bem na sociedade, por que o libertarianismo, que é tão bom, não pode?

#FAL

Libertarianismo: a solução

Muitos já ouviram falar sobre a tal da “3° via” quando se trata de eleições, principalmente quando estamos em uma polarização viciada como aqui no Brasil. 

Mas o que seria essa 3° via? Seria uma espécie de “salvador da pátria”, que classifica-se como a “diferente” das dicotomias polarizadas, porém acabam derrapando em um detalhe: continuam mantendo o ciclo vicioso que é o estado, só que com uma roupagem ou verniz diferente, isto é, mais do mesmo se não para pior.

Você duvida disso? Só ver o discurso nazi-fascista, fascista e até mesmo comunista; nunca mudam e nunca pretendem mudar e por quê? Pela sede de poder, de comandar, de estar lá fazendo parte do status-quo, então sempre bancam o establishment, usam de vários discursos e propagandas, porém sempre com o mesmo ideal da dicotomia.

E o libertarianismo nessa, como deve entrar? Simples, se intitulando e sendo como a solução, mas como faremos isso? Devemos usar a persuasão com nossos ideais, mostrando às pessoas o quanto o libertarianismo, além de libertar, é honesto, demonstrando o quanto o estado joga sujo com a própria população que praticamente banca o mesmo e não recebe nada em troca.

Temos que demonstrar como nos tratam como incapazes tentando nos controlar e escravizar o tempo inteiro, usando falsos discursos, como “para o seu bem-estar” ora usando da força e coerção para bancar “programas e projetos sociais” com migalhas, enquanto que ao mesmo tempo banca e engorda cada vez mais o orçamento de burocratas, parasitas estatais e corporativistas, sendo estes totalmente prejudiciais a camada populacional. É toda essa parafernalha estatal que ajuda a empobrecer parte da população e que tira a possibilidade de muitos empreendedores e inovadores, prejudicando a população enquanto impede que esta crie coisas e produtos para absorver a necessidade dela mesma, gerando sendo a malfadada “panela estatal”, se dando bem em cima de quem de fato produz.

Então é isso que temos que fazer, mostrar à população que o libertarianismo é a solução para que o povo enfim possa prosperar em todos os âmbitos. Um sistema que defende a liberdade individual, um total livre mercado e um governo voluntário, que dá total apoio a quem produz e a quem demonstra interesse em praticar o bem, isto é, sem intromissão estatal. A única forma de prosperidade sem precisar de falsas bondades.

#fredjonas

Economia

Uma economia livre e saudável é sempre dirigida pelos consumidores.

Todo investimento e direcionamento de recursos se dá com a finalidade de atender as demandas mais urgentes. 

Quando uma aberração dessas acontece, e as taxas de juros são empurradas artificialmente para baixo por meio da expansão da base monetária pelo estado, a estrutura produtiva é perturbada. Empresários são induzidos ao erro e investimentos que antes não eram rentáveis, passam a ser. 

Isto culmina sempre em recorrentes e sucessivas crises econômicas, inflação e empobrecimento generalizado. 

Estamos experienciando o crescimento da maior bolha já vista na história.

#joaozuan

La Gestapo Argentina

O economista argentino Javier Milei denunciou recentemente a existência de uma lista negra -na qual constava seu nome- com a exposição de dados pessoais, tais como biografias e conexões, de pessoas e organizações contrárias ao establishment político argentino. O relatório -que estava no site reaccionconservadora.net e que já foi tirado do ar- destinava-se a descobrir e difundir informação sobre o “novo conservadorismo” argentino.

Os criadores do tal site tratavam de identificar os principais membros e a rede de vínculos das vozes dissonantes do atual governo argentino, qual uma thinkpol latina. O relatório está dividido em capítulos, incluindo um dedicado a expor as supostas conexões argentinas com o partido espanhol VOX, além de um mapeamento de contas do Twitter que expõe uma teia de relações entre os sujeitos ali expostos.

Os autores do relatório foram identificados como Ingrid Beck, Flor Alcaraz, Paula Hernández, Paula Rodríguez, Juan Elman e Soledad Vallejos. Todos esses jornalistas trabalham na mídia oficial, que é exclusivamente subsidiada pelo estado.

Um dos maiores inimigos do establishment político é a liberdade de expressão. Na Argentina, criou-se um órgão de controle denominado NODIO (Observatório de Informação Simbólica e Violência), que atua como polícia do pensamento para a mídia impressa e plataformas digitais.

O NODIO está vinculado a outro curioso órgão estatal: a Defensoria do Público, a qual tem como missão “promover, divulgar e defender o direito à comunicação democrática das audiências dos meios de comunicação audiovisual em todo o território nacional”. A existência da Defensoria do Público se assenta em uma “concepção” sobre Liberdade de Expressão que contempla as faculdades e obrigações de quem produz informação e dos receptores dessas informações”.

Voltando à lista negra: a diretora do projeto é Ingrid Beck, jornalista que trabalha para a Rádio Nacional Argentina, e que registrou no INPI argentino a marca “Ni Una Menos”, movimento feminista que começou na Argentina e se espalhou por vários países latino-americanos.

Segundo Beck, o trabalho que deu origem à lista negra foi financiado pela International Planned Parenthood Federation, que reúne 118 associações e opera em 129 países. Cada escritório regional distribui fundos para a região. O trabalho da IPPF é supervisionado por um conselho e milhões de voluntários trabalham com a Federação em todo o mundo. Outro dado interessante são os financiadores da International Planned Parenthood Federation, que conta com subsídios estatais e doações privadas de fundações, como a Open Society e a fundação de Bill e Melinda Gates.

A principal fonte de financiamento do IPPF são os subsídios que recebe do governo americano. No relatório dos anos de 2019-2020, consta que a IPPF recebeu US$ 618,1 milhões dos EUA, identificados sob a categoria “Reembolsos e Subsídios dos Serviços de Saúde do Governo”, principalmente porque a IPPF é afiliada ao programa Medicaid.

Ingrid Beck, a diretora do projeto, obteve financiamento da International Planned Parenthood Federation para seu projeto de Stasi argentina. Além disso, Beck é fundadora da Revista Barcelona, que em 2020 recebeu $397.800 do estado. Beck também é colunista na revista digital Letra P, que recebeu do estado, em 2020, $2.602.950. Beck trabalha também com outras duas rádios que, adivinhe, recebem dinheiro do estado. Beck vive do dinheiro dos pagadores de impostos, e, com esse mesmo dinheiro, financia sua Stasi particular.

É lamentável, porém não surpreendente, que a Argentina tenha chegado ao ponto de ter seu próprio Ministerium für Staatssicherheit em tempos ditos “democráticos”. O progressismo, ferrenho crítico dos governos autoritários que grassaram na região durante vários anos, não tem o menor constrangimento em adotar práticas similares à dos militares. 

Não obstante isso, se Milei está na lista negra, é porque está incomodando o establishment; e se está incomodando, é porque as ideias por ele defendidas encontram eco na sociedade –ou seja, ingressaram no campo da “batalha cultural”, até então dominada pelo progressismo.

#LaGestapoArgentina

#julia

Mulheres, empoderamento e ostracismo

Sob o lema do empoderamento, o que antes era restrito a determinados ambientes passou a inundar as redes sociais, tais como imagens reveladoras da figura feminina e textos expondo detalhes de situações da vida. O severo e constante queixume acerca das desilusões amorosas – que outrora ocorria em rodas privadas de amigas – agora encontra lugar na vida pública.

Abundam os exemplos de programas de TV, revistas, blogs, perfis nas redes sociais, podcasts e outros, em que as expositoras se reúnem com o fim precípuo de expor, para quem estiver interessado, as agruras de suas vidas.

Colocam-se, dessa forma, como mártires da vida moderna em que absolutamente tudo é difícil, terrível e incontornável: a maternidade, o trabalho, a menstruação, a depilação, as amizades, os estudos e, por fim, mas não menos importante, os relacionamentos com o sexo oposto. A vida é um eterno sofrimento feminino, e, portanto, precisaríamos de uma ajudinha do estado a fim de facilitá-la: mulher grávida não trabalha, longos meses de licença maternidade, absorventes grátis, creches gratuitas que substituem a mãe, pensão em caso de divórcio, entre outros absurdos.

No âmbito dos relacionamentos amorosos, passou a se vender a ideia de que a mulher é o ser que mais sofre neste mundo. A culpa, é claro, é dos homens malvados que não as amam como elas acham que deveriam.

Observem que não raramente os depoimentos começam com a mulher narrando uma situação em que ela se coloca, voluntariamente, em uma situação deplorável –seja acolhendo o cara que é seu namorado há três meses, emprestando dinheiro e bens, aceitando pequenas grosserias ou engravidando de completos idiotas- para, ao final, colocar a culpa inteiramente no sujeito.

Nenhuma autocrítica, nenhum auto exame de comportamento, nenhuma consideração acerca da responsabilidade para com a própria vida. O problema sempre está fora.

Para piorar o cenário, reclamam dos homens, mas não desistem de se relacionar com eles. Ora, se a coisa está assim tão feia, não seria mais racional desistir logo dessa faceta da vida? Afinal, ninguém é obrigado a se relacionar com ninguém. Reclamam, mas promovem podcasts cujo único objetivo é reunir quatro ou cinco mulheres que, durante duas longas e exaustivas horas, falam sobre homens. Logo, concluo que o único interesse da mulher brasileira contemporânea é o homem, mas se queixam deles. Não dá pra entender.

No entanto, o mais grave de tudo é que tais queixumes –que deveriam estar restritos à vida privada- encontram eco na mente de legisladores oportunistas. Com isso, vemos a criação de milhares de leis que visam proteger a mulher e diminuir a desigualdade de gênero. Como exemplo, veja-se o PL que foi recentemente aprovado que tipifica o crime de “violência psicológica”, que seria o ato de “Expor a mulher a risco de dano emocional que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, chantagem, ridicularização, limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação”.

Percebam o perigo do texto em que há a tipificação de condutas difíceis de provar, já que há conceitos muito subjetivos – tais como humilhação e constrangimento, por exemplo – que dependem somente do sentir de quem foi “vítima” de tais condutas. Para ilustrar, imagine-se que Maria se sentiu humilhada porque seu marido José fez uma inocente piada sobre seu novo corte de cabelo. Por isso, José poderá vir a ser processado e preso por dois a quatro anos.

Ora, quem em sã consciência desejará se relacionar sabendo que pode terminar preso por uma besteira? Que tipo de relacionamento é este em que as partes não podem se expressar livremente? Onde foram parar a conversa e o entendimento entre parceiros adultos? Por que diabos as mulheres se comprazem em ser tratadas como incapazes?

As mulheres devem urgentemente parar de endossar condutas vis de seus parceiros, pois à exceção da violência física, ninguém faz nada conosco com o qual não tenhamos anuído previamente, seja de forma explícita, seja de forma tácita.

#julia

Como a privatização da CEDAE explica o Livre Mercado?

A concessão da Companhia de Água e Esgoto do Estado do Rio de Janeiro para a iniciativa privada é o primeiro megaprojeto de concessão, após regulamentação do novo marco regulatório do saneamento e que envolve cifras que ultrapassam a casa dos 50 bilhões de reais.

Ela foi feita em um modelo inovador no país ao dividir um mesmo município em concessões distintas, pondo fim a quatro anos de batalhas políticas e jurídicas desde que o estado ingressou no Regime de Recuperação Fiscal da União, já que a venda da Cedae era condição do programa.

Acontecendo após mais de um ano e em que parte da população fluminense é abastecida com água de má qualidade, em uma das piores crises hídricas e sanitárias da história do estado.

As metas desse plano de concessão são muito ousadas:


1 – Prazo de apenas 12 anos até 2033, 90% do esgoto terá que ser coletado e tratado.

2 – 99% da população terá que ter abastecimento com água tratada. 

Atualmente, mais de 1,6 milhão de pessoas não têm acesso a água potável no RJ, o que corresponde a 9,5% da população. O desafio é imenso, considerando os dados atuais.

Essa concessão vem sendo discutida há mais de uma década, diante da completa falência dos serviços do Estado na questão do saneamento básico. Para você ter uma ideia do que acontece com o serviço de entrega de água no Rio de Janeiro, desde meados de 2020, as pessoas recebem água com fezes humanas nas suas bicas, acredite se quiser.

Poucas empresas estatais conseguiram na história entregar alguma coisa tão bizarra quanto isso e olha que os serviços delas são péssimos, via de regra, mas vamos falar desses problemas mais pra frente.

É bom que você entenda, desde a largada, que a Cedae não foi privatizada, mas sim concedida por meio de um leilão público que ocorreu no dia 20 de abril de 2021. A concessão foi, por 35 anos, para as empresas Aegea, que levou os blocos 1 e 4. Já o bloco 2 ficou com a empresa Iguá e o bloco 3 não saiu, mas será leiloado em um segundo momento.

Esse leilão público arrecadou mais de R$22,6 bilhões, valor que superou a expectativa de arrecadação inicial, que era de R$10,6 bilhões, em 114%. Além disso, garantiu mais R$30 bilhões em investimentos nos próximos 35 anos, o que somatiza R$52,6 bilhões até 2033, sendo R$12 bilhões já nos 5 primeiros anos, obrigatoriamente. Em cerca de uma hora de leilão, os três blocos mais valiosos já tinham sido arrematados com ágio superior a 100% em relação ao valor inicial. Ágio, se você ainda não sabe, nada mais é do que o valor que supera o mínimo do que era exigido no edital.

Ao todo, 12 empresas, nacionais e estrangeiras, demonstraram interesse pelo projeto, mas para a disputa final foram formados quatro consórcios empresariais, cada um liderado por grandes investidores.

Mas, você ainda pode estar confuso e querendo saber exatamente o que foi leiloado:

  1. Responsabilidade de promover o Saneamento;
  2. Tratamento do Saneamento;
  3. Distribuição de água;
  4. Agora entenda porque a Cedae não será totalmente privatizada. 

Uma parte dela continuará estatal e responsável pela captação e tratamento da água – as concessionárias vão comprar a água do estado para distribuir à população.

Bom, o fato é que existe uma dívida histórica com o povo que é o saneamento básico e que nunca foi pago. Se o estado não foi capaz de fazer, vamos ver se o livre mercado fará.

Diante de uma relação de mercado teremos claros benefícios com essa concessão como, por exemplo, agora há uma obrigatoriedade real de entregar o saneamento básico universal e o tratamento do esgoto no Rio de Janeiro. Algo que antes era sumariamente ignorado pelo Estado e que ninguém nunca resolveu e tampouco foi punido efetivamente.

Por isso, agora, você vai poder romper o contrato, punir a empresa e cobrar resultados, finalmente, uma relação racional numa área tão fundamental para a população. Agora existem metas claras como, por exemplo, até 2033 as empresas vão precisar entregar o saneamento básico universal do esgoto. Isso é uma vitória muito grande, pois agora sabemos o quê, quando e como será feito o que até então era um completo vazio de respostas.

Ainda assim, muitos foram contra essa concessão que foi uma guerra sair do papel e para estas pessoas eu deixo a seguinte reflexão: de onde o governo do Rio de Janeiro iria tirar R$52,6 bilhões até 2033? E, mesmo que inventassem esse dinheiro, vocês acham que ele entregaria de fato todo o saneamento básico feito?

Sempre prometeram e nunca entregaram! É óbvio que, no mínimo, iriam empurrar mais um imposto qualquer ou aumentar as tarifas de água e esgoto, desviar esse dinheiro para sustentar os grupos políticos que se alimentam desse sistema como sempre fizeram. Enquanto isso, as crianças cariocas continuariam pegando leptospirose ou outras doenças em algum valão qualquer das favelas do Rio de Janeiro. 

Nunca foi diferente, não seria agora que o milagre seria feito, ainda mais pelas mãos do Cláudio Castro, governador em exercício que assumiu após o impeachment do Ex-governador e juiz Wilson Witzel, condenado por ter roubado dinheiro público da saúde durante a pandemia, olha o nível dessa gente. Essa concessão sofreu diversas pressões, inclusive dos funcionários da CEDAE.

É claro que a CEDAE tem, dentro dos seus milhares de funcionários, vários que são técnicos honestos que sempre vestiram a sua camisa, e que, para sempre, serão um orgulho para o Rio de Janeiro. Porém, a verdade é que a empresa era um cabide de emprego absurdo, um monte de gente empregada com DAS, ou seja, cargos em comissão, apadrinhados por políticos.

Isso tudo levando a um grande nível de ineficiência e baixa capacidade de entrega dos serviços, já que o risco de demissão era político, não técnico. Enquanto isso, a população continuava sofrendo com falta de saneamento básico e consumindo até água com fezes humanas. Um tapa na cara de qualquer indivíduo coagido a pagar impostos para financiar esse tipo de coisa.

Certamente, com essa concessão, muitos funcionários serão demitidos e o temor disso foi a razão da ação que acabou levando o Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro a tentar impedir o leilão da CEDAE, por meio de uma liminar. Porém, os bons funcionários, os que realmente trabalham, com certeza serão preservados porque qualquer empresa orientada ao mercado precisa de gente técnica para funcionar. O que as empresas vão fazer é demitir esse caminhão de apadrinhados políticos que não entregavam absolutamente nada além de sangrar os cofres públicos.

Agora, o que vai ser gerado bom e investido pelas empresas?:

Além de tudo isso, está prevista a geração de 46 mil empregos, o que vai dinamizar a economia do estado, gerando renda e consumo e salvando dezenas de milhares de famílias destruídas pela pandemia.

Cerca de R$5,7 bilhões serão investidos, obrigatoriamente, na despoluição da baía de Guanabara e da bacia do Guandu, R$250 milhões para o complexo das lagoas da Barra da Tijuca. Também será obrigatório o investimento mínimo de R$1,8 bilhão na infraestrutura de favelas.

O contrato veta aumento real das tarifas cobradas dos consumidores e só será permitido o reajuste anual da inflação, cujo índice será definido pela agência reguladora. Bom isso aqui é um problema, mas a gente conversa sobre isso mais pro final. Agora, o mais incrível foi a briga política por trás disso.Para vocês terem ideia, a ALERJ, um dia antes, tentou impedir a concessão da CEDAE, numa articulação dos partidos de oposição e a justiça do trabalho também tentou impedir a concessão. Porém, o ministro Luiz Fux derrubou esta liminar e liberou o caminho para a concessão. Essa concessão só foi possível graças ao novo Marco Regulatório do Saneamento que passou a valer em 15 de julho de 2020. É graças a ele que atualmente o mercado enxerga, neste segmento, segurança jurídica e está vindo para cima com tudo para poder resolver anos de atraso de problemas que nós todos sabemos que o estado nunca resolveu e nunca irá resolver, porque isso não interessa a eles.

O dinheiro, os investidores, o interesse do setor privado, tudo isso existe, vemos esse tipo de investimento acontecer todos os dias no mundo todo. Ele só não acontece no Brasil porque não deixam, com todas as maluquices que se criam, não fazemos o nosso dever de casa em criar um ambiente favorável para que esse fluxo de investimentos venha.

Mas, quando damos um passo na direção certa, como foi com o novo Marco do Saneamento, desenhando um ambiente jurídico saudável para os investimentos, rapidamente, o dinheiro vem.

O Brasil é um país com gigantescas carências e um gargalo enorme de infra estrutura, o que não falta são portos, estradas, ferrovias, aeroportos, hidrelétricas, torres eólicas para fazer. E não falta dinheiro no mundo, nem no setor privado, nem interesse em fazer tudo isso. O que falta, mesmo, é competência da nossa parte para atraí-lo e isso dá a falsa impressão de que ninguém quer investir no Brasil, mas é o contrário, o leilão da CEDAE prova isso.

Por isso que essa vitória que se viu no Rio de Janeiro sirva de inspiração para  as demais cidades e estados no Brasil a lutarem por mais liberdade.

É inegável que quando o assunto trata de serviços essenciais, como água e esgoto, paixões sejam inflamadas, no final ninguém quer que uma tragédia aconteça.

O Brasil é um país com um povo muito pobre, desempregado e desesperado em relação ao futuro, principalmente nesse caos da pandemia.Mas não podemos nos entregar ao fetichismo do estatismo quando temos soluções óbvias, como bolas quicando na nossa frente.

Agora, vamos trabalhar algumas ressalvas importantes para não cair no fanatismo de só enaltecemos os pontos bons e nos esquecermos dos problemas: primeiro que não existe livre mercado sem concorrência, fazer monopólio ou um duopólio com empresas estatais ou privadas fere qualquer tipo de livre mercado. No caso da CEDAE, apenas 2 empresas dividiram o mercado, isso é um duopólio e é perigoso. É preciso entender se a modelagem contratual utilizada irá realmente resolver o problema, já vimos muitos fatos  com relação a isso nos governos passados, concessões mal feitas geram problemas ainda maiores de abandono e quebra de expectativas.

Segundo, foi colocado um teto que limita o reajuste da tarifa, ou seja, ele será corrigido apenas pela inflação. Eu não preciso explicar para vocês como o controle de preços nunca deu certo no Brasil, e não está dando hoje, nem na Venezuela e nem na Argentina, então esse é outro péssimo sinal. Apesar disso, é muito importante ressaltar como, aos poucos, os brasileiros comuns estão despertando para os reais benefícios do livre mercado.

Vamos torcer para que esse projeto dê certo, que o Rio de Janeiro resolva o seu problema com o saneamento em definitivo e que sirva de exemplo para o resto do Brasil.

E se você gostou desse conteúdo eu te convido para seguir o meu canal no Youtube, o “Liberalizamais”, lá você vai poder ter acesso a mais conteúdos sobre a luta pela liberdade.

#manoel thiago furtado

Itália: do fascismo à social-democracia

A Itália é mais um caso de intervenção estatal que passa por cima da liberdade econômica e do povo, mas como ainda consegue ser uma das nações mais ricas do mundo? 

Para responder a esta pergunta precisamos rever o período do Fascismo, em que o principal lema era “Tudo pelo estado, nada fora do estado e nada contra o estado”, carregado de um nacionalismo exacerbado quando, na verdade, tudo não passava de uma sede por obter cada vez mais poder estatal e controlar a tudo e a todos. 

Qual foi o resultado disso? Um atraso no desenvolvimento da nação que, após a Segunda Guerra Mundial, levou um bom tempo para se recuperar, principalmente por conta de gastos militares e estatais. 

Após a guerra, a Itália se recuperou e se tornou uma das nações mais fortes do mundo apesar de não ser tão liberal. Atualmente tem um baixo número de estatais e também tem várias empresas transnacionais que se destacam mundo afora, como FIAT ,ENI, Barilla, Pirelli,Giorgio Armani Lotto, Kappa, etc…

Isto é, várias áreas de negócio como a indústria da moda, por exemplo, e também com grandes investimentos no turismo local e agricultura, foram a tábua de salvação da economia italiana. 

Mas isso significa que a Itália é uma nação de livre mercado? Não exatamente, porque se colocarmos a Itália no ranking de liberdade econômica ela está classificada como moderadamente livre, ou seja, um pouco de liberdade mas com bastante barreira burocrática também.

Traduzindo: Intervenção do estado ainda não saiu totalmente da alma da nação italiana.

#liberdadeja

#fredjonas

Por que a economia importa?

Desde o ano passado, com a chegada da pandemia e das medidas restritivas, iniciaram-se alguns debates sobre a importância da economia. 

“Saúde primeiro, economia depois” , “ah você só liga para a economia e não liga para o resto” 

Debates desse tipo mostraram que a maioria das pessoas pensa que a economia é algo separado do seu cotidiano, que é algo à parte, algo que interfere pouco ou quase nada em suas vidas. Estes são levados a acreditar que a economia é assunto exclusivo de acadêmicos e políticos. 

Mas qual a real importância da economia? É tudo o que há de mais importante. Economia é vida.

De acordo com os pensadores da Escola Austríaca, que é a escola econômica que estrutura todo o nosso raciocínio e que julgamos ser a que melhor explica o mundo real, a ciência econômica é a ciência da ação humana, isto é, ela estuda as escolhas que os indivíduos fazem, considerando que os meios ou recursos de que dispõe nunca são suficientes para satisfazerem todos os fins. Isso é conhecido como escassez e a economia nos ensina a melhor forma para lidar com ela. 

Mises, o proeminente pensador austríaco, diz que toda ação humana representa uma escolha e, ao escolher, o homem opta não apenas entre bens materiais e serviços, mas entre todos os valores humanos. Assim, os teóricos começaram a entender a economia como uma máquina de produzir, distribuir e consumir a partir de uma “ciência da escolha”, isto é, até mesmo a escolha de seu trabalho e dos atos de compra e venda no mercado se conectam com as escolhas que o homem faz em relação aos valores que lhe são oferecidos para opção. 

É com base nesse conceito, o de ação humana, que a escola austríaca constrói todo o edifício da teoria econômica. A teoria do capital, da moeda e dos ciclos partindo do princípio do axioma que o ser humano age.

Assim, se extrai desse conceito primordial os primeiros conceitos importantes da Ciência Econômica, como os de valor, propósito, meios, fins, tempo, lucro, custo, prejuízo e etc. Isso porque toda ação é um comportamento proposital dado no tempo e no espaço, utilizando-se de meios para atingir fins, incorrendo em custos, visando a um lucro e podendo sofrer prejuízos.  

Essas afirmativas e proposições não precisam de experiência. São como a matemática e as ciências naturais. É como dizer que 1+1=2. Elas são válidas em todos os tempos e em todos os lugares.  

Portanto a Escola Austríaca, que faz parte desta fundamentação, toda sua teoria não faz juízo de valor, ela não diz que um controle de preço é bom ou ruim, não diz se imprimir dinheiro é coisa de bocó (apesar de ser). Ela apenas explica quais as consequências destas ações. 

Então, admitindo que todas nossas ações são atos econômicos, chegamos à conclusão de que a economia é algo indissociável do nosso ser. Faz parte do indivíduo e por isso chamamos esta metodologia de individualismo metodológico. 

Isto é, entende que a procura por satisfação das necessidades põe o homem em movimento. E é isso que move a sociedade e, consequentemente, a economia. E uma economia, quando bem desenvolvida, influencia diretamente no padrão de vida geral da população, eliminando a pobreza e fomentando a riqueza. 

Nas palavras de Mises: “Estamos melhor do que as gerações anteriores precisamente por que nos encontramos equipados com os bens de capital que estas acumularam para nós” 

Estes bens de capital foram acumulados principalmente a partir da revolução industrial, época em que a economia era precária e a pobreza praticamente absoluta. Após o “take off”, a decolagem da economia, no início do século 19, 200 anos atrás, saímos de uma expectativa de vida de 29 anos para 79. Quatro em cada 10 crianças morriam antes dos 5 anos. Atualmente, o índice de mortalidade em crianças de até cinco anos teve uma redução significativa. Nove em cada 10 pessoas viviam na extrema pobreza. Hoje apenas uma vive nesta situação. 

A diferença dos dados socioeconômicos de países onde se tem uma economia desenvolvida para países pouco desenvolvidos economicamente também é gritante. Então, aqueles que dizem que a economia pode ser deixada de lado não podem dar sua opinião nem sobre água. A economia é uma parte inseparável de nossa vida e é compreendendo seu funcionamento e respeitando seus alicerces que podemos prover para as gerações vindouras um melhor padrão de vida do que temos hoje.

#joaozuan

O feminismo defende as mulheres?

Quantas decisões históricas, responsáveis por mudar o curso da humanidade, aconteceram depois que as mulheres dos movimentos esquerdistas passaram a se manifestar peladas? Nem quanto ao sufrágio universal, que é considerada a maior conquista da humanidade, independente de haver lógica ou razão, ninguém precisou ficar pelado para provar que era gente e que merecia ser tratado igualmente. A encenação em questão é tão limitada e pobre no sentido criativo que a “atriz” foi incapaz de ser fiel à ideia original do leitão com a maçã na boca.

Enquanto isso, as mulheres seguem sendo obliteradas da sociedade como indivíduos autônomos e relevantes para o desenvolvimento humano, seja como membro de uma família, como profissional ou empreendedora. A realidade é que existe cada vez menos representatividade feminina, tanto nos movimentos políticos quanto nas conquistas profissionais e dos esportes, pois nós estamos cada vez mais limitadas a nos encaixar nas pautas da esquerda e a última coisa que a esquerda representa é a maioria feminina.

Não se pode mais dizer “mulheres que menstruam”, o correto agora é dizer “pessoas que menstruam”. Também não pode mais dizer “leite materno”, agora só é aceito o termo “leite humano”. Seguindo este mesmo raciocínio, apague a palavra “mulher” do seu vocabulário e insira a palavra “pessoa” para se dirigir ao público “feminino” atual. Ao mesmo tempo, “mulheres com pênis” ou “homens também menstruam” são expressões aceitáveis e até incentivadas. Não pode falar que mulheres menstruam, mas pode dizer que algumas mulheres têm pênis. Onde está a lógica? Chegamos ao ponto de um trans, que buscava exposição na lacrosfera, processar um ginecologista porque este se recusou a atendê-lo como mulher em seu consultório ginecológico.

Essas baboseiras são “conquistas” dos mesmos movimentos que defendem manifestações públicas que exploram o corpo feminino como ferramenta para chamar atenção no que tange a igualdade de gêneros. Mesmo que não exista relevância ou sentido em ficar pelada para conquistar algo, essas “manifestantes” vão lá e tiram a roupa, sob o pretexto de gerar indignação em torno do tema, seja lá qual for ele. Greve de professores? Tire a roupa e defeque sobre o retrato de um político. Passeata contra conservadores? Tire a roupa e sente em um crucifixo. Manifestação contra o presidente? Tire a roupa, enfie uma maçã na boca e pose como um frango assado.

Mesmo que nem todos os movimentos feministas defendam esse tipo de reestruturação que visa apagar a mulher da sociedade, quando as feministas se manifestam de forma a colocar a mulher como objeto elas também estão colaborando para que o sexismo e o tão odiado machismo se perpetuem. E qual mensagem passa esse tipo de manifestação? É possível que a sociedade decida respeitar as mulheres após uma manifestante ficar pelada na praça? Ou será que a maioria das mulheres não liga a mínima para esse tipo de manifestação, pois estão muito ocupadas tentando cuidar da própria vida, do seu trabalho e, muitas, da sua família? Será que as mulheres se sentem representadas por esse tipo de manifestação?

A verdade é que faltam revistas pornôs, faltam plataformas que dêem visibilidade para essas mulheres que saem peladas na rua com a desculpa de se manifestarem, pois a impressão que passa é que elas buscam uma exposição maior, um “olheiro” que as convide para posar nua em uma revista masculina. Mas qual revista, se tudo que os movimentos feministas fizeram foi acabar com essa forma divertida que os homens tinham de passar o tempo e que, ao mesmo tempo, era justa para muitas mulheres no sentido de ganhar algum dinheiro? O mais curioso é que as redes sociais não censuram mulheres nuas em posição de frango assado ou homens levando dedada se a publicação ostentar uma hashtag “forabozo” ou qualquer outra que seja o alvo da esquerda.

Enquanto isso, a mulher comum – nesse quesito se incluem sua mãe, sua irmã, sua amiga, sua namorada–, sofre diretamente as consequências desse delírio esquerdista de buscar igualdade de gênero. Ela não pediu por nada disso, ela está apenas tentando manter seu emprego e suas conquistas pessoais enquanto os burocratas, em uma resposta às manifestações, a colocam em um patamar de santificação e fragilidade, criando mais leis e mais “direitos”, que vão desde licenças menstruais até leis trabalhistas, e que a igualam a um animal exótico e raro.

Não temos NADA a agradecer aos movimentos feministas.

#lucianatoledo

O SUS é inimigo da filantropia

A palavra Filantropia deriva do grego ‘philanthropia’ e significa ‘amor ao homem’, mas também pode ser entendida como ‘amor à humanidade’. É por meio da filantropia que membros da nossa sociedade podem se dedicar à caridade, doando desde seu tempo e atenção até seu dinheiro. Pode-se dizer que é pela caridade que se manifesta o amor mais sincero pelo próximo, pois é por ela que grandes feitos são alcançados. Exemplo disso é a história da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo ou Santa Casa de São Paulo, como é conhecida. 

Fundada há mais de 400 anos, a Santa Casa de São Paulo tem papéis importantes em vários setores da história da medicina no Brasil. Foi graças ao filantropo Roberto Simonsen que, sensibilizado pela doença do seu filho, Fernandinho Simonsen, contribuiu financeiramente para a iniciativa da Santa Casa de criar o primeiro hospital de atendimento exclusivamente ortopédico do Brasil, o que, mais tarde, se tornaria o berço da Ortopedia no país. Lá foi criado o Pavilhão Fernandinho Simonsen, que se estabeleceu como a melhor instalação médica da época e também como o primeiro hospital dedicado exclusivamente às afecções ortopédicas na América Latina. Ali se instalaram importantes instituições como a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia – SBOT, a Cadeira de Ortopedia da Faculdade de Medicina da USP, a Cadeira de Ortopedia da Escola Paulista de Medicina, e, atualmente, a Cadeira de Ortopedia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Precisa ficar claro que sem as Santas Casas seria impossível o governo prover atendimento para a população, pois os municípios e estados não possuem dinheiro suficiente para construir hospitais desse porte. Seriam necessários investimentos vultosos da ordem de milhões de Reais, não apenas para as edificações em si, como também para adquirir e manter equipamentos, insumos e mão de obra de médicos, enfermeiros, recepcionistas, auxiliares, copeiros, faxineiros e zeladores que seriam necessários para manter o bom funcionamento da instituição, sem mencionar os terceirizados. Apenas o setor privado tem aporte financeiro para este tipo de projeto e é aí que entram os filantropos.

Segundo dados do Ministério da Saúde, as Santas Casas correspondem a um pouco mais de 51% de todos os atendimentos a usuários do SUS, o que, por si só, já demonstra a importância da filantropia para a sustentação do que é o SUS. Apesar de haver mais de 2 mil instituições similares à Santa Casa de São Paulo, muitas, mesmo com a ação da filantropia, estão definhando. A prova disso são os fechamentos constantes dessas instituições que foram completamente vilipendiadas pela incompetência estatal de administrar recursos. 

Graças às sucessivas interferências do estado na administração das Santas Casas, a caridade já não é mais suficiente para suprir a demanda do SUS. Mas como é possível que as Santas Casas, ainda assim, atendam mais de 51% dos casos do SUS “de graça”? Em primeiro lugar, a tabela de valores do SUS está incrivelmente defasada, sendo assim, o repasse pelos atendimentos mal cobre os gastos com os pacientes. Prova disso é que a Santa Casa de São Paulo criou o Hospital Santa Isabel com o intuito de utilizar o dinheiro dos atendimentos a pacientes por convênio e particulares para cobrir parte das suas dívidas. Em segundo lugar, existe um problema que acomete todas as instituições que o estado se mete a administrar, interferir e regulamentar, chamado corrupção. 

O desvio de verbas dentro desse sistema é monstruoso, o governo federal alega que não pode fiscalizar as Santas Casas, pois este seria um trabalho dos estados e municípios. Quando fazemos um breve levantamento das dívidas das Santas Casas podemos facilmente verificar que o dinheiro escoa por licitações e superfaturamentos. Em muitos casos, a intervenção do estado e da prefeitura acontece em momentos delicados para essas instituições, sempre sob a alegação de que a Associação Beneficente da instituição não faz um bom trabalho administrando os próprios recursos. Não para a nossa surpresa, o problema das dívidas se agrava após as intervenções, muitas vezes, sendo a dívida multiplicada por dez, vinte vezes o seu valor. 

Em 2014, a Santa Casa de São Paulo chegou a interromper os atendimentos de emergência por falta de dinheiro. Em uma cidade com aproximadamente 20 milhões de habitantes, contando com a região metropolitana, essa carência por serviços de saúde tem um impacto muito grande na sociedade. Além disso, quem circula pelas imediações da Santa Casa pode ver ambulâncias de Santas Casas de outros estados, o que significa que a instituição não atende apenas as pessoas da cidade, mas também presta atendimento aos estados vizinhos. Isto é, com recursos da filantropia, a Santa Casa também presta atendimento às pessoas de outros estados porque, muito provavelmente, a Santa Casa daquele lugar, se já não fechou, está falida e com suas contas no vermelho há muitos anos. O que sobra é recorrer à caridade do vizinho que, na maioria dos casos, faz o que pode.

O SUS não foi a primeira empreitada fracassada do Brasil na área da saúde. Já existiram o INPS (Instituto Nacional da Previdência Social) e o INAMPS (Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social) e que depois se transformou em INSS (instituto Nacional da Seguridade Social). O Brasil tem muita vocação para criar nomes diferentes para os mesmos fracassos, muda o nome e mantém a estrutura coletivista, com cara de caridade e com alma de golpe digno das maiores pirâmides financeiras. Pelo menos na época do INAMPS a estrutura era modesta e o estado não escondia a sua incapacidade de produzir algo de valor, pois apesar de possuir estabelecimentos próprios, os procedimentos eram realizados pela iniciativa privada. Então, em 1988, nasceu essa aberração que é o SUS: um sistema com uma propaganda regada com o infinito dinheiro do trabalhador que paga a “contribuição” mesmo já pagando planos de saúde caros que, pasmem, são de péssima qualidade porque são regulamentados pela mesma entidade que está matando as Santas Casas: o estado. Logo, como o SUS poderia dar certo se várias tentativas menos ambiciosas já tinham dado errado no passado?

Apenas recapitulando, há quase quinhentos anos, em 1543, surgia a Santa Casa de Santos, e, logo em seguida, em 1562, surge o primeiro registro da existência da Confraria de Misericórdia da Vila de São Paulo, que viria a se tornar a Santa Casa de São Paulo. Então, como instituições com mais de 400 anos de caridade e inúmeros projetos bem sucedidos podem entrar em processo de falência e acumular dívidas com valores estratosféricos com apenas 33 anos de existência do SUS? O que foi que deu errado nesses 33 anos em que o estado se meteu a fazer a caridade que já vinha sendo feita com tanta maestria pelo setor privado? Será que o estado viu no dinheiro da filantropia uma forma de enriquecimento fácil? Cria-se uma estrutura monstruosa e incapaz de se autogerir, com falhas enormes por onde escoa o dinheiro limpo da filantropia sem que a população se dê conta, pois, afinal, as Santas Casas continuam dando um jeito de atender os enfermos e necessitados que procuram por tratamento. Por que não fazemos, de uma vez por todas, o exercício de obrigar que o SUS retire seus tentáculos putrefatos da filantropia antes que esta morra por falta de atendimento? 

Imagine ser um filantropo no Brasil. Agora, imagine ter dinheiro para investir em hospitais que podem prestar atendimento para mais da metade da demanda do sistema público de saúde e ser constantemente repelido pela ideia de corrupção que assola a filantropia por meio do SUS. No final das contas, o benefício das isenções fiscais não parecem tão atraentes para um filantropo, e inclusive pode ser cada vez mais difícil encorajar que outros filantropos participem ativamente, como na época em que Roberto Simonsen apoiou o projeto da Santa Casa de São Paulo. Não é possível tratar-se apenas de coincidência, pois as Santas Casas atravessaram mais de quatro séculos com saúde financeira e, nos 45 minutos do segundo tempo, quando o estado resolve entrar no jogo, sob o argumento de ajudar a levar saúde de forma universal para todos os brasileiros, começa uma quebradeira desenfreada envolvendo o projeto mais belo, que retrata a bondade, a dedicação, a necessidade de ajudar o próximo por meio da filantropia.

A caridade, que não enxerga muros, barreiras e proibições, que cruza oceanos e que enfrenta pragas e todo tipo de intempérie para levar aos necessitados uma amostra de bondade, que leva esperança para as pessoas mais frágeis e muitas vezes as mais negligenciadas da nossa sociedade. A caridade, aquela que viveu muito bem por quase 500 anos e que começou a sucumbir por uma morte lenta e dolorosa quando o estado se apossou das suas virtudes. O estado, essa entidade espúria, composta por burocratas demagogos, decrépitos e corruptos, que, por meio do SUS, sentenciou a filantropia do Brasil à morte lenta.

#lucianatoledo