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2013 Mar 5

Direita liberal?

Direita liberal?

Em uma entrevista divulgada em diversos portais, Ricardo Salles se definiu como integrante da direita "liberal" brasileira.


No mês passado, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, passou a ter como seu assessor Ricardo Salles, do Movimento Endireita Brasil. Com o inegável crescimento do movimento libertário no Brasil e no mundo, é inevitável que alguns políticos tentem se rotular como liberais ou até libertários, ainda que, na prática, tenham apenas ideais conservadores e estatizantes.

Vale lembrar que os libertários não subscrevem ao espectro político esquerda-direita. Nós acreditamos na dicotomia liberal-estatista, segundo a qual tanto conservadores, quanto social democratas que desejam usar do estado para impor seus (pre)conceitos ficam no mesmo grupo e equidistante de nós.Ricardo Salles, define-se como membro da direta, mas, por também se classificar como “liberal”, fatalmente algumas pessoas nos jogarão no mesmo grupo. Dessa forma, para que não haja confusões, é essencial destacarmos as nossas principais divergências.

Três opiniões de Ricardo Salles foram apresentadas com destaque e chamaram em especial a atenção da mídia: sua oposição ao casamento gay, sua oposição à “Comissão da Verdade” e sua condenação ao MST.

Primeiramente, a questão mais simples é a do casamento gay. Foi veiculado que Ricardo Salles é contrário à possibilidade de união civil de homossexuais e à adoção por casais do mesmo sexo. O Liber é favorável a ambos.

Desde sua origem, o liberalismo é uma doutrina cosmopolita e tolerante e os libertários herdaram esses princípios. Não há razões para que dois adultos do mesmo sexo não possam ter os mesmos direitos e deveres legais advindos de uma relação estável de um casal heterossexual. Acreditamos, inclusive, que as reformas deveriam ser mais profundas, excluindo qualquer interferência estatal na forma como adultos – independentemente do sexo – decidem reger seus bens e sua vida comum. Nenhum grupo de indivíduos deve ter privilégios e casais gays devem ter exatamente os mesmo direitos que casais heterossexuais, nem mais, nem menos. A questão da adoção nos parece ainda mais óbvia: é simplesmente cruel negar a priori uma família à crianças em orfanatos, baseando-se simplesmente no fato de algum terceiro reprovar a orientação sexual daqueles que querem adotá-las.

Quanto à questão da revisão da Lei da Anistia e da “Comissão da Verdade”, os libertários são amplamente favoráveis à investigação e à punição de quem cometeu crimes durante a ditadura militar brasileira – não importa se eram parte do governo ou se faziam terrorismo político. Com o pretexto de permitir uma transição democrática, os criminosos de dentro e de fora do governo decidiram tentar apagar o passado e institucionalizaram a impunidade. É nítido que os únicos favorecidos com essa decisão foram esses criminosos, em detrimento de toda a população.

Por fim, Ricardo Salles considera o MST uma organização criminosa e treinada pelas FARC, além de ter dinheiro público desviado de ONGs. Não podemos verificar essas acusações, porém podemos afirmar sem sombra de dúvidas que invasões à propriedades, urbanas ou rurais, produtivas ou não, são violações irreparáveis ao direito de propriedade e devem ser severamente coibidas. Não obstante, não podemos esquecer que o estado, ao mesmo tempo que faz vistas grossas ao MST, favorece a formação de latifúndios e a agricultura de larga escala por meio de manipulações cambiais e de constantes repasses diretos de recursos, seja sob a forma de subsídios, seja de empréstimos do BNDES.

É sempre positivo ver o espectro político brasileiro se expandindo, mesmo que seja com representantes de outros ramos das correntes estatistas, mas é importante deixar claro que um verdadeiro libertário não pode ser favorável a restrições estatais ao casamento, à adoção e à punição de governantes, ou mesmo se calar diante da concessão de privilégios governamentais à segmentos da população.

Pela liberdade!