Postagem

2013 Out 23

O problema dos eletrônicos no Brasil

O problema dos eletrônicos no Brasil

O preço do PlayStation 4 causou comoção nacional na semana passada, ao ser divulgado que o aparelho de video game custaria R$ 3.999, muito acima do preço praticado pela fabricante, Sony, no exterior. Rapidamente várias teorias surgiram tentando justificar e procurar culpados pelos preços altíssimos cobrados no Brasil.


Alguns culparam a ganância da Sony, outros o comportamento perdulário e “inocente” dos consumidores brasileiros, que se submetem a esse ultraje. Porém, não é plausível que a Sony se torne subitamente mais gananciosa em território brasileiro que em outros países. Também não parece razoável supor que os consumidores brasileiros sejam gastadores e submissos até atravessar a Ponte da Amizade, quando se tornam perspicazes e financeiramente responsáveis.

Se nenhuma dessas explicações é satisfatória, a razão dos altos preços deve ser estrutural no Brasil. E, de fato, nós podemos observar que o preço dos eletrônicos, em geral, é muito mais alto no país em comparação ao exterior.

Percebam, porém, que os preços não caem. Em qualquer indústria, se a margem de lucro for alta, isso estimula a atração de novos concorrentes para o ramo ou faz com que as empresas já existentes expandam a oferta de produtos e, assim, empurrem os preços para baixo.

Isso nunca acontece no Brasil. Jogos eletrônicos, smartphones, tablets, computadores de ponta e outros equipamentos eletrônicos, aqui, com frequência custam muito mais que no exterior. A oferta, no Brasil, permanece escassa e os preços, altos. Isso não tem a ver com a propensão brasileira a gastar, porque se esse fosse o caso, as empresas estariam se digladiando para entrar no mercado brasileiro.

O que ocorre – e a Sony foi obrigada a postar uma imagem detalhando seus custos – é uma supertaxação protecionista de produtos importados no Brasil. Isso não só eleva os preços, mas também restringe os estoques que os varejistas mantêm e empurra os preços muito mais para cima.

Não há mágica: a única forma de termos eletrônicos baratos no Brasil é tirando as correntes dos produtores. Não adianta uma caça às bruxas: o Brasil não é uma terra mágica onde as leis econômicas não se aplicam.

Na verdade, o Brasil é bem comum: impostos super altos geram preços super altos, aqui como em todo o mundo.