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2014 Jan 15

Os mitos sobre o embargo comercial dos Estados Unidos a Cuba

Há diversos mitos sobre o Embargo comercial dos Estados Unidos a Cuba, imposto em 1960 por Dwight David Eisenhower, então Presidente dos Estados Unidos da América, ainda como um “embargo parcial” em resposta à política de confisco de propriedades de norte-americanos na Ilha. Em 1962, o Presidente dos EUA, John Fitzgerald Kennedy (JFK), decretou o “embargo total” a Cuba, instituindo que produtos cubanos seriam ilegais nos Estados Unidos e criando diversas restrições às exportações de empresas estadunidenses à Ilha.

Atualmente as empresas dos Estados Unidos podem vender alimentos e medicamentos a Cuba e cidadãos norte-americanos podem viajar a Havana, porém, havendo algumas restrições quanto aos grupos que podem aproveitar essa “flexibilização”.

O embargo econômico limita as relações comerciais entre empresas dos Estados Unidos e Cuba e é acusado pelo regime castrista de ser o causador das mazelas na Ilha Cárcere, sendo este o primeiro e maior mito sobre o tema. É fácil constatar que Cuba contorna tranquilamente esse embargo há décadas, primeiro através dos investimentos da União Soviética até 1991 e do comércio com o bloco de países que a compunham entre 1972 e 1989. Foram US$3 bilhões ao ano, recebidos por Cuba, vindos da URSS entre 1970 e 1991. Além disso, Cuba vendia açúcar acima do preço do mercado mundial à URSS e esta lhe vendia petróleo a preços ínfimos.
Mesmo com todos esses recursos Cuba não obteve o crescimento esperado e com o colapso da URSS em 1991 viu sua economia regredir e o PIB cair 35% em 2 anos, sendo a pior crise da história do país. Durante o período da URSS, Cuba também negociava com países como a França, que em 1967 vendeu mercadorias no montante estimado de US$70 milhões e importou de Cuba US$34 milhões em bens.

Após o colapso de 1991 da URSS, Cuba se viu obrigada a gerar novas receitas. Surge a solução com a abertura da Ilha ao turismo e intensificação das relações com outros países como Grã-Bretanha, Venezuela e Brasil. As exportações de níquel, açúcar e café ajudaram Cuba, mas o grande alívio veio com a eleição de Hugo Chávez para Presidente da Venezuela em 1999.

Chávez se aproximou de Fidel Castro e iniciou uma política com Cuba parecida com a mantida pela União Soviética. Atualmente a Venezuela fornece 120 mil barris de petróleo ao dia à Cuba que paga com o envio de profissionais cubanos de setores estratégicos, principalmente da saúde, para atenderem aos pobres na Venezuela. Só em 2008 o comércio com Venezuela chegou aos US$2.698 bilhões, com a China a US$2.457, Canadá US$1.41 bilhão e Espanha US$1.154 bilhão. Em 2013 já bateu US$600 milhões só com o Brasil.

O material humano virou produto de exportação em Cuba, que tem aproximadamente 15 mil profissionais da saúde atuando por todo o mundo, número que aumentará com as importações de médicos cubanos ao Brasil. Na Venezuela o pagamento feito a Cuba é de US$8 por consulta, no Brasil serão R$10 mil mensais, sendo R$7 mil diretamente nas mãos dos Castro. A África do Sul paga US$ 7 mil a Cuba por cada médico. Aproximadamente US$5 bilhões entram em Cuba todos os anos devido à exportação desses profissionais pelo regime castrista. Fora o comércio com outros países e com o próprio Estados Unidos, que atualmente é o 4º maior parceiro comercial de Cuba e o 5º maior fornecedor.

Agora eu pergunto: e o embargo? Mas que embargo? Ora, está claro que o embargo não impede o comércio de Cuba com outros países e até com empresas norte-americanas, logo, não pode ser culpado pelas mazelas econômicas da Ilha Prisão. E todo o dinheiro da URSS? Foi empreendido para criar e manter o oitavo maior exercito do mundo, garantir a manutenção do poder dos Castro e mal administrado, como também são os demais recursos que anualmente entram em Cuba. O modelo socialista é o responsável pela crise econômica na Ilha.

Antes do embargo de 1960, em 1959 para ser exato, entrou em vigor a lei que proibia a compra e venda de carros registrados a partir daquele ano. Até hoje vemos carros antiguíssimos na Ilha. Recentemente o governo de Raul Castro decretou a possibilidade de vender o veículo aos cubanos, mas para isso é necessário enfrentar toda a burocracia cubana, que não é pouca. Ou seja, antes de os Estados Unidos se fecharem para Cuba, Fidel estava fechando Cuba aos Estados Unidos.

Dizer até que produtos norte-americanos além de alimentos e medicamentos não conseguem chegar à Ilha é incorreto, pois há vídeo games, DVDs, filmes, cópias do sistema Windows, entre outros, normalmente pirateados. Haverá a desculpa de que Cuba foi empurrada à pirataria pelo embargo, mas isso não mudará o fato que os produtos entram do mesmo jeito, com a diferença de que quem está perdendo com isso são as empresas dos Estados Unidos.
O Brasil além de financiar o regime castrista através do pagamento pela mão de obra dos médicos cubanos, também empresta dinheiro a Cuba através do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) com financiamento a projetos de infraestrutura e operações de crédito direto aos Castro. Só o Porto de Mariel e a Zona Especial de Desenvolvimento (ZED) de Mariel em Cuba custarão R$700 milhões aos cofres brasileiros. Até os irmãos Castro reconhecem que o fracassado modelo socialista não serve mais e é necessária a transição de Cuba para uma economia de mercado mais liberal, sob a desculpa “atualização do socialismo”, Raul Castro implanta reformas nessa direção.

O embargo não é culpado pela economia de Cuba naufragar, mas o próprio governo cubano e seus ideais comunistas que assolam a Ilha desde 1959. Se o embargo econômico fosse retirado, quanto tempo será que o regime castrista duraria sem essa desculpa para esconder suas falhas e o fracasso do seu modelo? Se o socialismo é tão bom, porque 2 milhões de cubanos se refugiaram no Estados Unidos? E esses exilados ajudam a economia de Cuba com doações em dólares para seus parentes na Ilha Prisão, que não tiveram a mesma sorte. Fora as 73 cooperativas autorizadas em 24/09/2013, uma só para a exportação de aves ornamentais que passa dos US$700 mil no país e pretendem chegar ao milhão com essa cooperativa.

Fontes: