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2014 Jan 30

All time high – uma nova era política

O bitcoin é a maior revolução econômica da história da humanidade. Foi com essa declaração que o filósofo libertário Stefan Molyneux encerrou a semana de fortes altas nas bolsas da moeda no ano passado, recebidas pelos investidores como que anunciadas pelas trombetas dos anjos. A cotação de US$ 1220 parecia muito impressionante para o que os críticos alcunham de um mero ativo supervalorizado, mas logo se diminui, ofuscada pelo seu possível valor final, entre 100 mil e 1 milhão de dólares.

O ativo mais rentável de todos os tempos. Há pouco mais de dois anos, este homem teve a ousadia de apostar mil bitcoins – o equivalente a 10 mil dólares à época – que a moeda criptográfica superaria o ouro, a prata, o mercado de ações americano e o dólar em mais de cem vez em dois anos.

Dois anos e dois meses depois, ele fez uma doação do que hoje vale cerca de US$ 1.000.000,00 à Foundation for Economic Education, pelo seu inestimável esforço em propagar as reveladoras lições de Murray Rothbard e de outros gigantes intelectuais, que o fizeram rico o suficiente para perder gratamente uma aposta de um milhão de dólares.

O bitcoin não veio só para ficar, ele veio para mudar tudo. O bitcoin não é só uma moeda digital, é um “protocolo revolucionário para a sincronização de informação. Ele pode ordenar precisa e cronologicamente todas as entradas na sua base de dados e checar sua validade sem qualquer autoridade central”, nas palavras de Molyneux. Entenda o porquê:

Os autos da História. A cadeia que registra as operações financeiras feitas com a moeda, o blockchain, pode servir como um imenso registro público da humanidade, no qual pode ser inscrito toda sorte de documento que possa tirar proveito dessa ordem cronológica autenticada por toda a rede mundial de computadores, desde escritos literários e invenções que podem-se utilizar do carimbo cronológico que ordena a lista, até mesmo registros de propriedade. Tudo sem controle central.

Uma moeda para todos. É absolutamente incalculável a riqueza que advirá com a adoção maciça dessa tecnologia pelos países do terceiro mundo, pelos mais pobres, que terão acesso ao melhor serviço bancário que existe no mundo ao custo de um clique. Estamos falando de bilhões de pessoas que vão, pela primeira vez, ter acesso às benesses do Capitalismo, sem qualquer impedimento estatal.

Com as tecnologias auxiliares que estão sendo desenvolvidas para o bitcoin (especificamente as colored coins) será possível fazer IPOs para todo e qualquer empreendimento a custos simbólicos. Imagine abrir um restaurante, um mercadinho, uma padaria, ou mesmo uma loja de limonada, recebendo um financiamento barato e sem qualquer intermediário! Até megacorporações, que precisam gastar milhões de dólares nesse processo, poderão usufruir da simplicidade do bitcoin.

Uma moeda para tudo. Já é possível até mesmo assinar e fazer cumprir contratos sem qualquer ajuda de intermediários multimilionários. É possível programar uma operação para ocorrer dado o cumprimento de certa condição, como a entrega de um website, ou o aparecimento do nome de alguém na lista de um obituário online (para os testamentos).

É possível condicionar transferências operadas por várias pessoas, em que, por exemplo, pelo menos duas das três precisem aceitá-la, abrindo inúmeras possibilidades para a supervisão contratual intermediada por um terceiro, sem qualquer necessidade do auxílio da justiça estatal ou de grandes firmas jurídicas. Se as duas partes concordarem, a negociação ocorre; se uma parte e o terceiro concordarem, a negociação também ocorre. Isso sim é justiça acessível a todos!

A nova luta política. O bitcoin veio para cumprir a promessa cripto-anarquista dos anos 90 de fundar no cypherspace o espaço matematicamente impenetrável à ação estatal. E é nele que deve ser construída a verdadeira luta política, não nas comissões senatoriais e nas campanhas eleitorais. Tudo isso é só um vício do passado que precisa ser superado até mesmo pelos ativistas libertários.

A velha política não passa de um antro de pessoas corrompidas, um reduto da máfia estatal que nunca se interessou pela verdadeira melhoria da sociedade. A nova política está no espaço virtual anônimo, no cypherspace, onde pessoas livres convivem e se relacionam com pessoas livres sem qualquer interferência de supervisores violentos.

E se o ato por excelência da velha política era emitir um voto, o da nova é comprar bitcoins.