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2014 Fev 21

O estatismo avança na América Latina

12 de Fevereiro de 2014, cansados da escassez de alimentos e das altas taxas de inflação, estudantes e jornalistas saem às ruas da Venezuela numa marcha contra o governo. O acontecimento chamou a atenção de toda a América Latina, principalmente no Brasil: temos na presidência um governo aliado ao chavismo.

A América Latina inteira passa pelo mesmo processo, ainda que a experiência já tenha fracassado nos países onde ela foi mais intensa (Cuba e Venezuela). Desde o Kirchnerismo na Argentina, até o Equador, atualmente governado por Rafael Correa, o que se vê é um amplo apoio à políticas estatizantes em nome do “bem comum”. Mais recentemente, o Chile também teve uma inclinação à esquerda, com a eleição de Michelle Bachelet.

O rumo que nosso país está tomando é, de certa forma preocupante: tais políticas estão alimentando uma inflação, visível no aumento do preço da cesta básica. A inflação, aliada a uma taxa de juros forçadamente baixa e um acesso ao crédito cada vez maior sugere a existência de uma bolha, que pode estar por trás do aumento repentino no preço de imóveis e também no alto número de construtoras fazendo lançamentos.

No Chile, Bachelet prometeu ampliar o acesso a uma saúde e educação “pública e de qualidade”, que será custeada após um aumento no imposto sobre empresas. O lucro de escolas privadas será reduzido ao máximo e uso de água terá prioridade para “fins sociais” (seja lá o que isso signifique). Regulamentações ao sistema financeiro e maiores fiscalizações na mineração também estão incluídas em sua pauta.

Outro exemplo é o Uruguai de Pepe Mujica, que está dando com uma mão para tirar com a outra: após “estatizar o uso da maconha”, Mujica já está com planos para limitar o consumo e as propagandas de bebidas alcoólicas. Mujica também tem manifestado apoio ao presidente da Venezuela, chegando ao absurdo de dizer que a culpa da escassez deve-se ao consumismo presente no país.

O Paraguai, no entanto, seguiu no caminho contrário enquanto nas mãos do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA). Enquanto a Argentina passava por uma escassez de certos produtos e enfrentava uma inflação na casa dos dois dígitos, o Paraguai iniciava 2013 com a notícia de que havia crescido de 14% e fechado o ano com uma inflação de 4%. Porém, o país passou a ser governado em 2013 por Horacio Cartes, do Partido Colorado, de tendência nacionalista e conservadora.

É visível o processo de estatização pelo qual toda a América Latina sofre, até mesmo nos países onde governos com tendência mais liberal um dia possibilitaram crescimentos e avanços, a exemplo o Chile e o Paraguai. O povo hoje se rebela na Venezuela e clama por liberdade, onde o Estado já se mostrou ineficiente clamam pelo fim das políticas bolivarianas. Quem será o próximo?